Covid-19 e as novas variantes: é hora de voltar ao que era antes?

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Por Kipp Saúde

26 de janeiro de 2022

Atualidades

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Por Kipp Saúde

26 de janeiro de 2022

Com o avanço da vacinação em todo o mundo, observamos a Covid-19 tem perdido força no segundo semestre de 2021, principalmente no Hemisfério Sul.
Entretanto, em novembro de 2021, uma nova originalmente identificada na África do Sul deu origem a uma nova onda de contaminações em todo o mundo. Esta cepa, denominada Ômicron pela Organização Mundial de Saúde, acumulou um número elevado de mutações que a tornaram muito mais transmissível que as variantes anteriores. Hoje, uma pessoa infectada pela Ômicron tem o potencial de transmitir para 10 a 20 pessoas.

A infecção pela Ômicron tem algumas características novas. Diferente do quadro clínico causado pelas variantes anteriores, com a Ômicron é muito mais comum apresentar a dor de garganta como o sintoma principal e a chance de evoluir com a forma grave da doença fica reduzida em, aproximadamente, 70%. Também diferente das anteriores, o swab oral para coleta do exame de PCR se mostra bem mais importante na infecção pela Ômicron quando comparado ao swab nasal.

Embora seja uma variante com porcentagem menor de casos graves, como ela infecta um número elevado de pessoas ao mesmo tempo, tem causado o colapso do sistema de saúde pelo mundo por originar um contingente grande de pessoas à procura de atendimento e exames. Além disso, ela tem provocado, ao mesmo tempo, o afastamento de diversos profissionais da saúde contaminados pela Covid-19.
A seguir, cinco pontos importantes para entender e lidar com esse novo cenário:

As vacinas contra a Covid-19

Seguem as tecnologias empregadas nas vacinas que compõem o Plano Nacional de Imunização (PNI), e contam com uso aprovado pela Anvisa para a população maior de 18 anos:

    • Vacinas de vírus inativado

      Consiste na administração do vírus morto/ inativado inteiro, incapaz de produzir doença. Estudos apontaram que as vacinas de vírus inativado contra a Covid-19, embora altamente eficazes na população jovem, induzem índices baixos (40-60%) de proteção na população acima de 75 anos. Portanto, doses adicionais da vacina podem ser necessárias para obter uma resposta imune forte o suficiente. Esse é o princípio da vacina Coronavac, produzida pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan e aplicada no Brasil , e também da chinesa Sinopharm.

      Imagem Covid 19

 

    • Vacinas com vetor viral não replicante

      Coloca-se o gene do SARS-coV-2 dentro de outro vírus, normalmente um adenovírus, que não é capaz de gerar doença nos seres humanos. Assim, o corpo produz anticorpos contra o gene do SARS-coV-2 sem ter tido contato com ele. Esse é o princípio da vacina de Oxford, desenvolvida pela AstraZeneca, envasada e distribuída pela Fiocruz, e da Janssen (Johnson & Johnson), desenvolvida nos EUA e aplicada no Brasil. Também é a tecnologia usada na vacina russa Sputnik V.

      Imagem Covid 19

 

    • Vacinas baseadas em RNA

      Administra-se “pacotinhos” de pedaços do material genético do SARS-CoV2, chamados RNA mensageiros, nos humanos. As células absorvem os RNAs e seguem suas instruções para construir proteínas virais, que o sistema imunológico reconhece como estranhas, desencadeando a resposta imunológica que protege contra a doença. Esse RNA mensageiro não entra no núcleo da nossa célula, não se aproxima e nem altera nosso DNA. É o princípio da vacina desenvolvida pela Moderna, nos EUA, e da Pfizer-BioNTech, desenvolvida pelos EUA, Alemanha e China, e aplicada no Brasil.

      Imagem Seringa

      A terceira dose – ou dose de reforço da Covid-19

      A vacina contra a Covid-19, assim como outras vacinas virais – com o a da gripe – tende a perder a efetividade após alguns meses. Como a pandemia ainda está ativa, é importante manter a população com efetiva proteção contra o vírus e, para isso, estudos foram realizados sobre a aplicação da terceira dose – ou dose de reforço – contra a Covid-19. Ela é importante para manter um nível alto dos anticorpos de memória, protegendo o corpo da contaminação contra o Sars-CoV-2. Para proteção contra a variante Ômicron, esta dose de reforço é ainda mais importante.

      Estudos em Israel mostram que, após 5 meses da última dose, pessoas que recebem a dose de reforço ficam 19 vezes mais protegidas. Nos Estados Unidos, dados similares foram encontrados.

 

E agora, como ficam meus cuidados?

    • Medição de temperatura em entradas de estabelecimentos continua sendo uma triagem eficaz?

      Não. A medição da temperatura na entrada dos estabelecimentos sempre foi uma medida que detectava apenas 3 em cada 10 pessoas com Covid-19. Isso porque a febre não acontece durante todo o dia e pode ser facilmente mascarada pelo uso de antitérmicos. Com a imunização de boa parte da população, torna-se menos frequente a porcentagem de pessoas que apresentam quadro clínico com sintomas relevantes.

 

    • A observação dos sintomas ainda é válida?

      Sim. Mas é importante frisar que, com o aumento da população vacinada, os sintomas – quando existem – são cada vez mais brandos. É essencial que as pessoas estejam atentas a sintomas leves, como dor de garganta, cefaleia e dor no corpo.

 

    • E como ficam as testagens?

      As testagens continuam sendo extremamente importantes para o diagnóstico de pessoas sintomáticas.

      Podem, também, ser utilizadas para rastreamento de contactantes de risco (pessoas que tiveram contato com pessoas na fase de transmissão sem as medidas de mitigação como o uso de máscaras). Nesse caso, um resultado negativo de um teste de RT-PCR feito no 7º dia pós contato de risco deixa um risco residual de apenas 5% da pessoa ainda desenvolver a doença. Para o retorno das atividades presenciais, não é necessário e nem custo-efetiva a testagem sistemática e periódica de indivíduos assintomáticos.

      Imagem Grafico COVID 19

 

Deslocamentos em tempos de Covid-19

    • Ida e volta ao trabalho:

      Muitas dúvidas podem surgir sobre como se cuidar ao usar o transporte público em tempos de Covid-19, por se tratar de um ambiente em que pode haver aglomeração de pessoas. Por isso, seguem as dúvidas mais comuns sobre o uso do transporte coletivo:

 

    • Qual a distância mínima que devo adotar de outros passageiros no transporte público?

      O ideal é viajar fora dos horários de pico para que se mantenha um bom distanciamento entre os passageiros, idealmente de 2m entre as pessoas. Caso isso não seja possível, é fundamental utilizar uma máscara de boa qualidade e vedação, como as PFF2/N95.

      Além disso, evite se agrupar com outras pessoas antes de entrar e depois de sair do transporte, como por exemplo nos pontos de ônibus.

 

  • Tenho que pegar ônibus todo dia para trabalhar e está sempre cheio, há algum cuidado que posso tomar?

    Sim. Há outras medidas de proteção além do distanciamento que também são importantes:

     

  • permanecer com a máscara bem ajustada ao rosto durante todo o trajeto;
  • evitar tocar nas superfícies sem necessidade;
  • não tocar no rosto sem antes higienizar as mãos;
  • higienizar as mãos assim que deixar o veículo e ao chegar ao trabalho.

Caso o ônibus não tenha ar-condicionado, posso deixar a janela fechada?

A janela é sempre melhor aberta. A circulação de ar é importante para diminuir as chances de transmissão entre os passageiros.

Viagens de avião e turismo em outros Estados/países

A máscara de boa qualidade, como a PFF2/N95, é mandatória em todo o período em que você estiver no aeroporto, além do voo. Mantenha sempre um kit na sua bagagem de mão.

Além disso, embora os voos comerciais utilizem os filtros de ar HEPA, que propõem reduzir em 99% as partículas contaminantes, ele é um dispositivo que reduz o risco de contágio pela Covid-19, porém não o elimina. Antes de passar pela filtração do filtro HEPA, as partículas virais emanadas por um passageiro podem ser inaladas pelo outro. Por isso, durante todo o voo, é fundamental utilizar uma máscara como a N95/PFF2.

No caso de voos internacionais, a alimentação é um período crítico, pois todos no voo irão retirar a máscara. Dessa forma, a recomendação é realizar a refeição da forma mais breve possível, recolocar a máscara o quanto antes, e assim reduzir o tempo de uma potencial exposição ao vírus.

Viajar bem também é ser um bom turista: não é porque você não está na sua região que você não deve obedecer às px;regras locais. Obedeça às diretrizes das autoridades sanitárias de cada localidade. Assim, além de você proteger os demais, você também se protege.

Demais situações do dia a dia que requerem atenção:

    • Refeições em restaurantes, lanchonetes, praças de alimentação e afins

      Nesses casos, a orientação é dar preferência por ambientes externos. Se não for possível, optar por locais bem ventilados, próximos de janelas. A máscara deve ser retirada apenas no momento da refeição, e recolocada imediatamente assim que finalizada.

      Costuma conversar com os colegas após a refeição? Máscara sempre.

 

    • Reuniões sociais:

      No momento, desaconselha-se grandes eventos com aglomerações, principalmente em locais fechados. O ideal é manter os encontros restritos a pequenos grupos familiares

 

Por quanto tempo preciso me isolar?

Esta pergunta tem sido frequente desde que o Ministério do Trabalho reduziu o tempo de afastamento com isolamento domiciliar para mínimo de 7 dias e o CDC americano para 5 dias. É importante as pessoas entenderem as motivações e exigências destas reduções. O período de transmissibilidade do SARS-CoV-2 é de 10 dias a partir do início dos sintomas para pessoas saudáveis e até 20 dias para imunossuprimidos. Este tempo de transmissibilidade foi confirmado também para a Ômicron em um estudo japonês publicado no início de janeiro de 2022.

Entretanto, os enormes números de infectados concomitantes em todo mundo com a cepa Ômicron geraram um problema de escassez de mão de obra nos diversos setores essenciais da economia. Como contingenciamento nesta situação de crise. O Ministério da Saúde e o CDC diminuíram o tempo de afastamento dos trabalhadores, mas com uma condição importante e descrita nos documentos: estes trabalhadores que retornam antes do 11º dia, ainda em período de transmissibilidade, devem aderir ao uso de máscaras todo o tempo e não devem se alimentar próximo a outras pessoas e em ambientes fechados.

Para as empresas e cargos nos quais é possível trabalhar em esquema de home office, está é uma excelente opção para aquelas pessoas que ainda se encontram nos primeiros 10 dias após o início dos sintomas. Desta forma, elas conseguem trabalhar sem colocar em risco seus colegas de trabalho.



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